O que acontece no seu corpo quando você bebe álcool grávida | Finance Journal

Se você está pensando em engravidar ou está grávida, vai ter de declarar tolerância zero ao álcool. A substância é tóxica, possui efeitos psicoativos, gera dependência, e os prejuízos a ela relacionados atingem todos os sistemas do seu corpo.
Entre as gestantes, os riscos não se limitam ao organismo feminino e afetam também o bebê. Afinal, o álcool é capaz de atravessar a placenta, gerar maior concentração alcoólica no feto e ainda compromete o seu desenvolvimento em qualquer estágio da gestação.
Como até agora os cientistas não conseguiram provar que exista um consumo seguro de bebidas alcoólicas, sobretudo durante a gravidez, a ordem é adotar a regra —melhor prevenir do que remediar.
Os efeitos no seu corpo
Os especialistas consultados são unânimes quanto ao fato de que os riscos de danos causados pelo álcool para a mãe e o bebê aumentam a depender da frequência, o número de doses e o período de tempo no qual elas foram ingeridas —o que inclui o beber pesado episódico.
Pouco importa se a bebida é do tipo destilado ou fermentado: quanto maior o volume de álcool consumido, maior a probabilidade de danos.
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A opção mais segura para quem deseja engravidar ou está grávida é não beber álcool.
Parar de beber ao saber da gestação ou em qualquer tempo dela reduz o risco de efeitos indesejados para o feto.
Veja, a seguir, as consequências associadas ao consumo de álcool ou à continuidade de seu uso ao longo da gravidez, todas elas evitáveis:
Problemas na gravidez
Beber álcool em qualquer fase da gestação pode levar a complicações como:
- Parto prematuro
- Restrição do crescimento do feto
- Baixo peso ao nascer
- Morte fetal
Esses efeitos acontecem porque o álcool interfere na formação celular do bebê, especialmente no primeiro trimestre. Além disso, cerca de uma hora após o consumo de bebidas alcoólicas, o nível de álcool no sangue do feto pode ser 30% maior que o da mãe, já que o organismo do bebê não consegue metabolizá-lo de forma eficiente.
Transtorno do Espectro Alcoólico Fetal (TEAF)
O TEAF é uma das consequências mais graves do consumo de álcool na gestação. Ele é uma das principais causas de atraso no desenvolvimento neurológico no mundo.
O TEAF inclui diferentes graus de comprometimento, como:
- Síndrome Alcoólica Fetal (SAF) e SAF parcial
- Malformações congênitas associadas ao álcool
- Alterações no neurodesenvolvimento
- Quanto maior a exposição ao álcool, maior o risco de desenvolver essas condições.
- Possíveis manifestações do TEAF
Alterações faciais: fenda nas pálpebras, lábio superior fino, ausência do filtro labial (a depressão entre o nariz e o lábio superior).
Problemas de crescimento: baixa estatura e baixo peso.
Alterações no sistema nervoso central: tamanho da cabeça reduzido, anomalias cerebrais, convulsões sem relação com febre.
Déficits neurocomportamentais: dificuldades de aprendizado, memória, atenção, regulação do humor e controle de comportamento.
Outros problemas congênitos associados ao álcool
Além do TEAF, o consumo de álcool na gestação pode causar:
- Malformações no coração
- Problemas renais
- Alterações esqueléticas (como pé torto)
- Problemas nos vasos sanguíneos (como hemangiomas)
Sistema imunológico enfraquecido
Bebês expostos ao álcool no útero podem ter um sistema de defesa mais frágil, ficando mais suscetíveis a infecções e doenças ao longo da vida.
Sintomas de abstinência no recém-nascido
Se a mãe consumiu álcool próximo ao parto, o bebê pode apresentar sinais de abstinência após nascer, como:
Choro inconsolável
Tremores
Irritação e agitação
Tensão muscular aumentada (hipertonia)
Efeitos tardios do TEAF
Algumas consequências do TEAF só aparecem ao longo da vida, afetando o desenvolvimento cognitivo e social da criança. Entre os impactos mais comuns estão:
- Déficit de atenção e hiperatividade
- Dificuldades na escola, principalmente em matemática e linguagem
- Problemas de coordenação motora e interação social
- Maior risco de transtornos psiquiátricos na vida adulta
- Maior probabilidade de envolvimento com drogas, álcool e problemas legais
Pesquisas também indicam que a exposição ao álcool no útero pode estar relacionada a um risco aumentado de TEA (transtorno do espectro autista).
O consumo de álcool na gravidez não tem uma quantidade segura. A única forma de proteger o bebê é evitar completamente o álcool durante toda a gestação. Se precisar de apoio, procure um profissional de saúde.
O caminho do álcool no seu corpo
Ao ser ingerido, ele é absorvido por meio do estômago, intestino e fígado, órgão no qual ele sofrerá a ação de enzimas [majoritariamente o álcool desidrogenase (ADH) e a aldeído desidrogenase (ALDH)] que ajudarão na quebra e excreção [metabolização] da substância.
Os efeitos no organismo podem ser observados por meio dos limites de concentração de álcool no sangue.
Mulheres são mais sensíveis
Esse grupo é mais afetado pelo álcool quando comparado aos homens porque elas apresentam maior absorção do álcool do que eles e ainda precisam de mais tempo para metabolizar a substância.
Isso significa que, ao beberem a mesma quantidade de bebidas alcoólicas, a concentração de álcool na corrente sanguínea das mulheres será mais alta.
Mulheres estão mais propensas a terem problemas decorrentes do uso do álcool no longo prazo.
São exemplos: doenças do fígado (cirrose), perda da memória, redução do volume cerebral, doenças do coração, câncer de boca, garganta, esôfago, fígado, cólon e mama.
Além disso, o beber pesado entre mulheres está relacionado à redução da fertilidade e maiores taxas de problemas menstruais.
Por que algumas gestantes continuam bebendo?
O uso global de álcool durante a gravidez já foi estimado em cerca de 10%. Dados publicados pelo The Lancet Global Health. No Brasil, a estimativa é de cerca de 15%.
Um recente estudo que revisou várias pesquisas científicas, identificou que esse comportamento pode estar relacionado a questões socioculturais, mitos, atendimento médico inadequado, além de situações como baixos salário e nível escolar, conflitos interpessoais, depressão, entre outros. Dados publicados pelo Jornal Brasileiro de Ciências Naturais.
A maioria das mulheres descobre que está grávida dentro do primeiro trimestre da gestação. Isso pode facilitar o consumo desavisado de bebidas alcoólicas.
A partir do momento que sabem que estão grávidas, a maioria das mulheres tende a cessar a ingestão de álcool.
De 17% a 20% delas continuam bebendo. Nesse grupo, o motivo pode ser falta de informação adequada ou comportamento habitual associado à dependência do álcool. Nesse último quadro, parar de beber pode ser um desafio.
E após o parto, dá para tomar um drinque?
Assim como é capaz de atravessar a placenta e alcançar o feto, o álcool também é transferido para o bebê por meio do leite materno.
Caso haja o consumo de bebidas alcoólicas nesse período, poderão ser observados efeitos imediatos no recém-nascido.
Sonolência, sono profundo, suor excessivo, diminuição anormal de peso e redução do crescimento são exemplos.
Possíveis efeitos de longo prazo: alterações comportamentais e redução das habilidades cognitivas.
Converse com o pediatra ou seu médico (clínico ou obstetra) para saber quais seriam as melhores estratégias no seu caso para tomar um drinque, sem prejudicar a saúde de seu bebê.
Fonte: Viva Bem
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