Governo cria novo programa e paga R$ 450 por mês para idosos trabalharem 16 horas por semana | Finance Journal

O Programa Paraná Amigo da Pessoa Idosa lançou a Bolsa Agente do Saber, pagando 450 reais por mês para idosos selecionados pela Universidade Aberta à Pessoa Idosa, em ações de combate ao idadismo e fortalecimento de vínculos comunitários no Paraná para todo o estado.
Em 2 de dezembro de 2025, o governador Carlos Massa Ratinho Junior assinou o decreto 12.097/2025 que cria e regulamenta a Bolsa Agente do Saber, programa que remunera idosos em vulnerabilidade socioeconômica para atuarem em suas comunidades e compartilharem conhecimentos acumulados ao longo da vida. A iniciativa integra o Programa Paraná Amigo da Pessoa Idosa e é gerida pela Secretaria da Mulher, Igualdade Racial e Pessoa Idosa, a Semipi.
Na prática, o novo programa transforma idosos em Agentes do Saber, com bolsa mensal de 450 reais por até 12 meses, prorrogáveis por igual período, em troca de 16 horas semanais de atividades em órgãos públicos, entidades e espaços comunitários. A proposta é usar a experiência desses idosos como ferramenta estruturada para fortalecer vínculos locais e enfrentar o idadismo em todo o Paraná.
Quanto os idosos recebem e como funciona a Bolsa Agente do Saber
A Bolsa Agente do Saber prevê o pagamento de 450 reais por mês a cada participante, por um período inicial de até 12 meses, com possibilidade de prorrogação por mais 12 meses, de acordo com os critérios definidos pelo decreto 12.097/2025.
Em contrapartida, os idosos atuarão 16 horas por semana, em jornadas planejadas para não se confundirem com vínculo empregatício tradicional.
Segundo a regulamentação, o foco é criar um instrumento estável de reconhecimento dos saberes dos idosos, sem substituição de profissionais já existentes no serviço público ou em organizações parceiras.
Por isso, a atuação dos Agentes do Saber é vinculada a um Plano Individual de Desenvolvimento de Ativo Social, documento elaborado com acompanhamento técnico da Universidade Aberta à Pessoa Idosa, a Unapi, que organiza metas, atividades e responsabilidades de cada participante.
Quem são os idosos que podem participar do programa
O decreto define um público-alvo específico.
Para acessar a bolsa, a pessoa precisa ser idosa com 60 anos ou mais, ter autonomia preservada e estar em situação de vulnerabilidade socioeconômica, comprovada por inscrição e cadastro atualizado no CadÚnico.
A ideia é priorizar idosos que reúnem tanto experiência de vida quanto necessidade concreta de apoio financeiro.
Há ainda exigência de escolaridade mínima.
Os beneficiários devem ter concluído os anos iniciais do Ensino Fundamental, do 1º ao 5º ano, o que permite acompanhar atividades formativas e registrar conteúdos.
Outro critério é ter participado, ou estar participando, de formações ofertadas pela Universidade Aberta à Pessoa Idosa nos últimos 12 meses, o que garante que esses idosos já estejam inseridos em processos de capacitação continuada.
Papel da Unapi e das universidades na formação dos idosos
A Unapi é um programa desenvolvido pela Secretaria da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior, a SETI, em parceria com a Semipi e com a Universidade Estadual do Paraná, a Unespar.
Nesse arranjo, cabe à Unapi oferecer formações específicas para idosos, combinando conteúdos de memória, cultura, cidadania, educação e tecnologias sociais.
Essas formações funcionam como porta de entrada e base metodológica para a atuação dos Agentes do Saber.
Idosos que passaram pela Unapi chegam ao programa já preparados para atuar em espaços comunitários, facilitando oficinas, rodas de conversa, registro de histórias de vida e outras atividades previstas nos planos individuais.
A estrutura universitária também dá suporte técnico para avaliação e acompanhamento da experiência.
Como os idosos serão selecionados nos municípios
A seleção dos participantes ficará a cargo das Comissões Municipais do Agente do Saber, as COMAS, que deverão ser criadas por cada prefeitura interessada em aderir ao programa, seguindo orientação da Semipi.
Essas comissões serão responsáveis por analisar documentos, verificar informações, aplicar critérios de elegibilidade e definir prioridades, sempre respeitando o recorte de vulnerabilidade socioeconômica e os demais requisitos exigidos.
Na fase inicial, somente municípios que já aderiram à Unapi e contam com unidades estruturadas da Universidade Aberta à Pessoa Idosa poderão receber o programa.
As resoluções 216/2025 e 217/2025 detalham que apenas as cidades que atendem aos critérios da Secretaria e dispõem dessas estruturas têm condições técnicas mínimas para iniciar a nova etapa.
A expansão para outros municípios será gradual e condicionada à capacidade local de acompanhar os idosos.
Que tipo de trabalho os idosos vão desenvolver nas comunidades
Os Agentes do Saber atuarão em órgãos públicos, entidades e espaços comunitários, sempre dentro de uma carga de 16 horas semanais.
As atividades podem envolver convivência, cultura, educação, memória, artesanato, contação de histórias e outras ações que valorizem o repertório de vida dos idosos, em formatos adaptados a cada realidade municipal.
A regulamentação deixa claro que a atuação desses idosos não substitui professores, assistentes sociais, educadores ou outros profissionais já existentes.
Em vez disso, os Agentes do Saber devem complementar políticas e serviços, oferecendo à comunidade a perspectiva de quem acumulou décadas de experiência, cultura local e vínculos territoriais.
A meta é transformar histórias e saberes em insumos concretos para fortalecer redes de apoio e gerar novas práticas de convivência.
Combate ao idadismo e valorização dos saberes dos idosos
Na justificativa do programa, a Semipi destaca que a Bolsa Agente do Saber pretende valorizar o que a pessoa idosa construiu ao longo da vida, evitando que esse patrimônio imaterial seja invisibilizado.
Ao mesmo tempo, o desenho do benefício busca enfrentar o idadismo, isto é, o preconceito e a discriminação baseados na idade, ainda presentes em diferentes espaços sociais.
Segundo a secretaria, os idosos ainda têm muito a contribuir com a sociedade, e a política pública reconhece formalmente essa capacidade ao oferecer uma bolsa específica, tarefas definidas e suporte institucional.
A combinação de remuneração, formação continuada e atuação monitorada em espaços coletivos pretende transformar esses idosos em protagonistas locais, e não apenas em receptores passivos de serviços assistenciais.
Próximos passos e desafios para consolidar o programa
Nesta primeira etapa, o principal desafio será estruturar as COMAS, organizar a oferta de formações da Unapi e garantir que os municípios tenham capacidade técnica para acompanhar os idosos.
A expansão gradual para outras localidades depende não só de orçamento, mas também de infraestrutura física, equipes de referência e articulação com redes de assistência social, cultura e educação.
Outro ponto crítico será medir resultados.
Para se consolidar como política pública, a Bolsa Agente do Saber terá de demonstrar impactos concretos sobre qualidade de vida dos idosos, redução de situações de isolamento e avanço real no combate ao idadismo. Indicadores de participação comunitária, fortalecimento de vínculos familiares e engajamento em atividades coletivas deverão orientar futuras decisões sobre ampliação ou ajustes no desenho do programa.
Fonte: CPG
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