Queda no Tesouro Direto assusta investidores; saiba o que fazer | Finance Journal

Queda no Tesouro Direto assusta investidores; saiba o que fazer | Finance Journal


Investidores do Tesouro Direto têm se assustado com as oscilações na rentabilidade de seus títulos desde o final do ano passado. A culpa é da chamada "marcação a mercado", mecanismo que atualiza diariamente o preço dos títulos com base nas condições da economia e pode afetar o retorno de quem vende o papel antes do vencimento no mercado secundário.

O que aconteceu

Os títulos do Tesouro que estão caindo são aqueles prefixados ou vinculados à inflação, especialmente com prazos mais longos. Os títulos prefixados são aqueles em que o comprador sabe quanto receberá na data de vencimento porque a taxa de juros foi informada com antecedência. Já os títulos vinculados ao IPCA são híbridos porque a inflação futura é desconhecida, mas a taxa de juros real paga acima dela é previamente fixada. "Esses títulos têm sofrido uma desvalorização maior por conta da marcação a mercado", explica o economista Jorge Ferreira dos Santos Filho, professor do curso de Administração da ESPM.

A marcação de mercado é a atualização diária do preço do título público. Esse valor varia de acordo com as oscilações da taxa futura de juros que os economistas projetam todos os dias ao considerar os diversos cenários da economia local e internacional. "Quando o mercado passa a exigir juros mais altos para emprestar dinheiro ao governo, o preço dos títulos antigos (que pagam juros menores) cai", explica Erich Zillner, consultor-sênior da Guardian Capital.

Em 2025 foi oposto, e os rendimentos desses títulos dispararam. Embora a Selic tenha se mantido alta no ano passado (15% ao ano), as taxas futuras começaram a cair porque o mercado ficou otimista com a percepção de que a inflação começaria a ceder e o Banco Central iniciaria os cortes de juros em 2026. Com isso, aqueles que compraram títulos há alguns anos viram seus rendimentos aumentarem: se um título antigo paga 15% e os novos pagam 12%, por exemplo, o investidor vai querer o de maior rentabilidade, e seu preço aumenta.

Mas o movimento mudou no final do ano. Em dezembro, as taxas futuras voltaram a subir, reduzindo os ganhos de quem pretendia vender títulos antes do vencimento. Ainda assim, o saldo de 2025 permaneceu positivo. No começo deste ano, as taxas futuras começaram a cair em relação a dezembro, fazendo com que os preços dos títulos antigos e seus rendimentos voltassem a subir, e seus potenciais rendimentos também. No meio do mês, porém, os juros futuros voltaram a subir devido às tensões macroeconômicas, como crescimento da dívida pública —perto de 80% do PIB (produto interno bruto)— e à proximidade das eleições. Assim, o preços dos títulos antigos caíram, e seus rendimentos também. No fim do mês, as taxas futuras voltaram a cair, e o preço dos títulos antigos e seus rendimentos se recuperaram um pouco.

Quanto maior o prazo de vencimento do papel, maior a desvalorização. "Os títulos atrelados à inflação costumam ter prazos mais longos, o que os torna mais sensíveis às variações das taxas de juros", diz Zillner. Segundo o consultor, as incertezas em torno da inflação, da política fiscal e dos juros futuros aumentaram em 2026, levando o mercado a exigir retornos mais elevados.

Quem sentiu menos os efeitos da marcação a mercado foi o investidor do Tesouro Selic. Pós-fixado, esse título acompanha a taxa básica de juros efetiva da economia (a Selic), e não suas projeções. Ele é considerado o investimento mais seguro e com menor risco de marcação a mercado. Ele sofre apenas quando a taxa de compra e a taxa de venda (o spread) entre investidores (mercado secundário) oscila. A rentabilidade pode ser ligeiramente negativa por um ou dois dias, mas rapidamente se corrige.

O que fazer?

Para não se preocupar com a marcação a mercado, o conselho é um só: não venda o título antes do vencimento. "Para quem pretende manter o título até o vencimento, as oscilações de preço ao longo do tempo tendem a ser irrelevantes", afirma Zillner. "Essa perda só se torna real se o título for vendido antes do vencimento."

O efeito da marcação a mercado também diminui à medida que o título se aproxima da validade. Nesse caso, seu preço ruma em direção ao valor final prometido.

Zillner recomenda variar investimentos para escapar da marcação a mercado. "Para quem pode precisar do dinheiro antes do vencimento, o importante é evitar títulos longos e mais voláteis, como o Tesouro IPCA+, de prazo elevado, dando preferência a opções mais estáveis, como o Tesouro Selic", diz.

Fonte: UOL

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