Fim dos mercados Assaí, Carrefour e outros como conhecemos? Carrinhos pagos substituem gratuidade, rastreiam suas compras em tempo real e geram ofertas calculadas por IA | Finance Journal

Fim dos mercados Assaí, Carrefour e outros como conhecemos? Carrinhos pagos substituem gratuidade, rastreiam suas compras em tempo real e geram ofertas calculadas por IA | Finance Journal


Digitalização dos carrinhos avança no varejo global, integra pagamentos, dados e personalização de ofertas em tempo real, altera rotinas de supermercados e levanta debates sobre privacidade, uso de informações de consumo e adaptação do modelo ao mercado brasileiro.

Carrinhos de supermercado que antes dependiam de moedas para destravar começam a ganhar versões conectadas, com desbloqueio por QR Code, pagamento por aproximação e recursos que permitem registrar itens adicionados durante a compra.

Em diferentes países, fabricantes e redes vêm testando modelos que substituem o “cofrinho” metálico por sistemas digitais, associados a aplicativos, cadastros e programas de fidelidade, abrindo espaço para ofertas personalizadas e análise de comportamento de consumo.

A mudança aparece com força sobretudo em mercados europeus, onde o uso de moedas para liberar carrinhos é tradicional.

A proposta, segundo empresas do setor, é manter o incentivo à devolução do carrinho e, ao mesmo tempo, reduzir a fricção para consumidores que já não carregam dinheiro físico no dia a dia.

Nessa lógica, o depósito deixa de ser uma moeda e passa a ser um valor temporariamente vinculado ao celular ou ao cartão, com liberação após o retorno do carrinho.

Do cofre de moedas ao desbloqueio digital

Em países como Alemanha e Espanha, o travamento por moeda é parte da rotina em muitas lojas, como forma de organizar os carrinhos e reduzir abandono no estacionamento.

O que muda, agora, é a forma de destravar.

Fabricantes europeus descrevem soluções em que o mesmo mecanismo de controle pode ser migrado para alternativas digitais, como sistemas de recompensa, integração com programas de fidelidade e coleta de informações de uso.

A digitalização do “depósito” é apresentada como um caminho para oferecer benefícios e reforçar a devolução do carrinho sem depender de dinheiro físico.

Na prática, iniciativas recentes também relacionam o desbloqueio ao smartphone.

Um exemplo citado por um veículo australiano em 2021 descreve um modelo em que o consumidor escaneia um QR Code no carrinho para fazer um depósito e, depois, recebe o valor de volta ao devolver e travar novamente o equipamento.

A proposta foi divulgada como alternativa às moedas e, ao mesmo tempo, como forma de rastrear carrinhos abandonados fora da área prevista.

Carrinhos inteligentes e redução do tempo de compra

Além do destravamento, outra frente envolve carrinhos “inteligentes” com tela e sensores, capazes de reconhecer ou registrar produtos durante o percurso.

Reportagens da imprensa espanhola descreveram a chegada de carrinhos com tecnologias como NFC, códigos QR e terminais integrados, em alguns casos com capacidade de registrar itens automaticamente e permitir pagamento sem passar pelo caixa tradicional.

Esses modelos se conectam a uma tendência mais ampla de compras sem fila, que inclui desde lojas com pagamento automatizado até experiências em que o consumidor usa o próprio celular para registrar o que pega nas prateleiras.

Em 2021, por exemplo, uma iniciativa de uma rede alemã foi noticiada como teste de compra com entrada por QR Code e pagamento pelo celular, sem a etapa tradicional de escanear produtos no caixa, mostrando como o varejo tenta reduzir etapas do processo.

Ainda assim, o avanço dos carrinhos com sensores e telas não significa um padrão único.

Parte das experiências foca no desbloqueio digital e na logística do carrinho.

Outra parte mira a automação do checkout, com reconhecimento de itens e pagamento diretamente no carrinho, em sistemas que podem variar bastante de uma rede para outra.

Cadastro de clientes e ofertas personalizadas por IA
A camada mais sensível dessa transformação é a possibilidade de associar o uso do carrinho a um perfil de cliente.

Quando o consumidor faz login no aplicativo, aproxima um cartão ou identifica uma conta de fidelidade, o supermercado passa a ter meios de vincular aquele carrinho a um cadastro, conectando a jornada na loja ao histórico de compras.

Empresas que vendem esse tipo de tecnologia descrevem que a inteligência do carrinho pode reconhecer itens adicionados e removidos, além de permitir que o cliente “ative” cupons e receba recomendações na tela.

Na prática, isso abre caminho para promoções personalizadas com base no comportamento de consumo e para a formação de bases de dados que, depois, podem orientar campanhas e estratégias de preço.

Esse tipo de personalização, comum no ambiente digital, vem migrando para o corredor do supermercado.

A promessa é “fazer o varejo físico se comportar como um site”, com ofertas sob medida durante a compra.

Ao mesmo tempo, a mudança amplia o volume de informações coletadas dentro da loja, porque passa a capturar não só o que foi comprado, mas também como o consumidor circula, o que coloca no carrinho e até o que devolve à prateleira, a depender da tecnologia adotada.

LGPD e o uso de dados no supermercado

No Brasil, qualquer avanço desse tipo passa por regras da Lei Geral de Proteção de Dados, que define parâmetros para coleta, uso e compartilhamento de dados pessoais.

A LGPD estabelece que o tratamento de dados deve ter finalidade específica e base legal adequada, além de exigir transparência ao titular e medidas de segurança proporcionais ao risco.

A lei também prevê direitos como acesso, correção e eliminação, dentro das hipóteses aplicáveis.

Isso significa que um carrinho conectado, quando vinculado a um cadastro identificável, pode envolver tratamento de dados pessoais.

Em cenários de personalização de ofertas e perfilamento de consumo, as empresas precisam justificar a base legal, informar de forma clara o que está sendo coletado e para quê, além de garantir governança sobre quem acessa essas informações e como elas são protegidas.

Materiais orientativos da Autoridade Nacional de Proteção de Dados e o próprio texto legal reforçam a distinção entre agentes de tratamento e responsabilidades no uso dessas informações.

Carrinhos pagos no Brasil e desafios de adoção

Ao contrário de parte da Europa, o uso de carrinhos sem depósito em moeda é mais comum em redes brasileiras, o que torna o destravamento pago uma mudança cultural relevante.

A discussão sobre adoção, porém, ainda depende de confirmação pública e de políticas de cada rede, além de fatores como custo do equipamento, manutenção, adaptação de lojas e aceitação do consumidor.

Existem fornecedores e conteúdos do setor varejista que descrevem a expansão de smart carts e iniciativas de carrinhos com QR Code e NFC, inclusive com exemplos de implementação no Brasil em anos recentes.

As informações, no entanto, variam conforme a rede e nem sempre vêm acompanhadas de documentação pública detalhada.

Até aqui, também não há confirmação segura, em fonte oficial ou anúncio verificável, de que esse modelo “dominará” o mercado brasileiro já em 2026, como sugere a previsão do título.

Com a digitalização acelerando pagamentos e fidelização, o movimento global é evidente: carrinhos deixam de ser apenas um acessório mecânico e passam a integrar sistemas de dados, ofertas e automação.

A questão, no Brasil, não é só tecnológica, mas também regulatória e de confiança do consumidor em como seu histórico de compra será tratado dentro e fora da loja.

Fonte: CPG

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