Na mira dos EUA e acusado de prejudicar gigantes como Visa e Mastercard, Pix do Banco Central surpreende | Finance Journal

Na mira dos EUA e acusado de prejudicar gigantes como Visa e Mastercard, Pix do Banco Central surpreende | Finance Journal

O avanço do Pix Internacional desperta atenção global ao aproximar o Brasil de uma integração inédita de pagamentos em tempo real com países da América Latina, ampliando alcance tecnológico e impacto financeiro do sistema.

O Banco Central do Brasil deu mais um passo na expansão do Pix Internacional, sistema que pretende permitir pagamentos instantâneos entre países da América Latina.

A iniciativa, ainda em fase de testes, foi tema de um vídeo publicado nesta terça-feira (26) pelo especialista em fintechs Luiz Molla Veloso, no canal da CNBC no YouTube.

Segundo ele, a proposta busca eliminar intermediários e reduzir custos que hoje chegam a cerca de 6 por cento nas remessas internacionais.

Em sua participação, Veloso explicou que a integração entre sistemas de pagamentos instantâneos de diferentes países pode colocar o Brasil em posição de destaque no cenário financeiro global.

De acordo com o especialista, o objetivo é permitir que uma compra feita fora do país seja liquidada em segundos, da mesma forma que já ocorre nas transações domésticas pelo Pix.

Funcionamento do Pix Internacional

Conforme detalhou Luiz Molla Veloso, alguns brasileiros já viram estabelecimentos estrangeiros aceitar Pix como forma de pagamento.

Nesse caso, a loja realiza uma operação de câmbio nos bastidores, tratando a remessa internacional para o cliente.

Com o Pix Internacional, porém, esse processo seria automatizado.

Veloso explicou que o sistema em teste permitiria uma comunicação direta entre o Banco Central brasileiro e o banco central do país parceiro.

Assim, a conversão de moeda e a liquidação seriam executadas em tempo real, sem a etapa tradicional de fechamento manual de câmbio.

Ainda segundo ele, essa mudança reduziria drasticamente dois pontos sensíveis: o tempo de liquidação e o custo operacional.

Como destacou o especialista, a eliminação de processos manuais tende a tornar cada transação mais barata e mais rápida, beneficiando consumidores e empresas.

Pix e o sistema Swift

Durante a entrevista, Luiz Molla Veloso foi questionado sobre a possibilidade de o Pix substituir o código Swift, padrão global de transferências.

Ele afirmou que essa não é a tendência.

O especialista ressaltou que o Pix se inspira em tecnologias do Swift e que sua adoção tende a ser mais forte em países com estruturas tecnológicas semelhantes à brasileira.

Veloso acrescentou que sistemas de pagamento instantâneo ajudam na digitalização do dinheiro e reduzem a necessidade de emissão de papel-moeda.

Isso pode contribuir para o controle da inflação em alguns mercados.

Parcerias e integração com a Colômbia

De acordo com o especialista, a Colômbia aparece como uma das parceiras mais naturais do Brasil nessa etapa inicial.

Ele lembrou que a empresa brasileira Pismo, hoje controlada pela Visa, colabora com o Banco Central colombiano na criação de uma infraestrutura semelhante ao Pix.

Segundo Veloso, a compatibilidade entre as arquiteturas tecnológicas facilita a adoção rápida de um sistema interoperável.

Ele comentou ainda que países com características econômicas semelhantes às do Brasil têm grande potencial para ampliar o uso de pagamentos instantâneos.

Custos das remessas e impacto ao consumidor

Embora o Banco Central ainda não tenha definido valores finais, Luiz Molla Veloso afirmou que a digitalização completa do processo deve reduzir significativamente os custos.

Ele explicou que parte das tarifas atuais deriva de etapas semimanuais que exigem análise humana.

Conforme observou o especialista, ao transformar tudo em uma operação totalmente automatizada, o custo unitário tende a se aproximar de zero, como já ocorre no Pix doméstico.

Essa economia deve ser repassada ao usuário final.

Pix como instrumento de influência do Brasil

Luiz Molla Veloso também comentou o potencial do Pix como ferramenta de soft power brasileiro.

De acordo com ele, a exportação da tecnologia pode abrir portas para acordos comerciais e ampliar a influência do país no debate global sobre inovação financeira.

O especialista afirmou que seria importante uma estratégia mais ativa do governo na divulgação do modelo para nações vizinhas.

Ele ressaltou que diversas empresas nacionais têm alto nível tecnológico e podem ajudar outros países a desenvolver sistemas próprios.

Fonte: Petróleo e Gás

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